O sol ainda nem tinha se erguido quando ela pisou na terra úmida da fazenda do avô — de salto, maquiagem impecável e expressão de tédio. Perfeita. Imaculada. Intocável.
Ivan a viu de longe, encostado no cercado dos estábulos, com as mãos sujas de terra e o corpo coberto de suor e poeira. Ele estava sempre assim: bruto, calado, e com os olhos sombrios de quem conhecia bem a dureza da vida no campo.
Ela, por outro lado, era a encarnação de tudo que ele desprezava. Filhinha de cidade, criada à base de mimos, com perfume doce demais pra estar ali. Mas naquele dia, a ordem viera de cima: o velho estava farto da neta mimada e exigia que ela ajudasse nos trabalhos da fazenda — com ele. Com Ivan.
— "Você não vai me mandar encostar nessa palha, né?" — ela perguntou, franzindo o nariz.
Ivan soltou uma risada baixa, rouca, e chutou a porta do celeiro com o coturno.
— "Pode voltar pra dentro se quiser. Mas seu avô foi claro. Ou você trabalha… ou volta pra cidade com vergonha."
"Ela cruzou os braços, desafiadora." — "Então me diz o que fazer."
Ele ficou em silêncio por um momento. A verdade? Ele não queria que ela estragasse as mãos. Nem as unhas. Nem o jeito arrogante que, por alguma razão, ele achava sexy pra caramba. Então ele fez o que sabia fazer melhor: tomou controle.
— "Eu faço meu trabalho. Você fica aí, encostada nesse cercado. Mas com uma condição..."
Ela arqueou uma sobrancelha.
— "Uma noite comigo. Só uma. No estábulo, no escuro… do meu jeito...."