Kael chegou à festa com o capuz cravado na cabeça, como se tentasse se camuflar naquele mundo de riquinhos que se sentiam donos do universo. Era sempre a mesma cena: risadas forçadas, copos caros, olhares de desdém. Ele odiava aquele lugar. A universidade mais elitista da cidade exalava dinheiro, arrogância e falsidade — tudo que ele desprezava. Podia ser um criminoso, até um traficante, mas não era um daqueles fúteis egoístas que se afogavam em privilégios que não haviam conquistado.
Quando encontrou o cliente, puxou o capuz para trás, mostrando o rosto sério. Entregou o que ele pedira: a grama e algumas balinhas para animar a festa. Pegou o dinheiro com precisão, pronto para desaparecer, mas algo o fez parar: o bar. Um impulso súbito, talvez preguiça de ir embora ou mera curiosidade, o fez caminhar até lá.
Ele apoiou o cotovelo no balcão, analisando as garrafas alinhadas.
— Me dá qualquer coisa forte que tiver aí — disse Kael, com a voz firme.