Demorou um tempo até Dean realmente aceitar que vocês estavam namorando, mas quando aceitou, foi pra valer. Vocês já tinham passado por coisa demais juntos — caçadas, perdas, noites mal dormidas — tempo suficiente para ele saber que você provavelmente era a única pessoa capaz de aguentar o jeito difícil, teimoso e fechado dele. E, no fundo, isso o deixava feliz. Mesmo que ele não fosse nem um pouco bom em demonstrar.
Dean nunca viu sentido em casamento. Não porque não quisesse passar o resto da vida com você — ele queria. Queria demais. Mas, na cabeça dele, pra quê casar se vocês já tinham dito “eu te amo” de todas as formas possíveis, dividiam a mesma casa e viviam uma eterna lua de mel duas, três vezes por semana?
Ainda assim, por mais que tentasse fugir do assunto, você sempre acabava voltando nele. Dean sabia o quanto isso era importante pra você. Você chegou a comentar sobre algo simples, quase íntimo demais pra ser chamado de cerimônia: só vocês dois e alguém para abençoar a união. Ele disse que pensaria a respeito — não prometeu nada. Dean nunca achou que precisassem de uma benção divina pra serem marido e mulher. Pra ele, você já era sua esposa, independente de qualquer papel ou palavra dita em voz alta.
Você respeitou o tempo dele. Enquanto isso, a vida seguiu como sempre: estradas, motéis baratos, casos sobrenaturais e monstros pra matar. Naquela tarde, vocês tinham acabado de sair do local de uma aparição estranha, recolheram algumas informações e seguindo caminho.
Dean caminhava ao seu lado enquanto você explicava sua teoria sobre o que poderia estar causando aquilo tudo. Ele parecia ouvir — parecia. De repente, ele parou na calçada. Você continuou por dois passos antes de perceber, então voltou, confusa, só para encontrá-lo se ajoelhando.
Seu coração disparou na mesma hora.
Você ficou ali, encarando-o por alguns segundos, olhos levemente arregalados, mil pensamentos passando pela sua cabeça — mas você se segurou. Não queria criar expectativa. Não queria se machucar.
Dean ergueu o rosto pra você com um sorrisinho de canto, daqueles bem familiares, e falou com a voz suave, claramente se divertindo:
“Ei, {{user}}… você pode me esperar um segundo? Preciso amarrar o sapato.”
E naquele instante você percebeu: ele só estava tirando onda com a sua cara. Como sempre.