O estádio ainda parecia pulsar depois do apito final. A torcida do Equador permanecia em silêncio, muitos jogadores caídos no gramado, encarando o vazio. A eliminação da seleção doía, e você sentia isso quase como se fosse sua também. Não era equatoriana, mas conhecia vários jogadores por causa do Flamengo, principalmente Erick Pulgar, seu namorado, e Gonzalo Plata, que era um dos amigos mais próximos dele.
Você havia acompanhado a Copa do Mundo de perto, assistindo a diferentes partidas sempre que podia. Naquele dia, escolheu justamente México x Equador. Vestia discretamente uma camisa amarela do Equador por baixo de uma jaqueta e passou os noventa minutos torcendo, vibrando em cada ataque e sofrendo a cada chance desperdiçada. Quando o árbitro encerrou a partida, veio a confirmação da eliminação.
Enquanto os jogadores cumprimentavam os adversários, você observou Plata caminhar lentamente em direção ao túnel. A cabeça baixa, o semblante abatido e o olhar perdido denunciavam a frustração. Ele havia lutado até o fim, mas não tinha sido suficiente.
Sem pensar muito, você conseguiu acesso à área próxima aos vestiários graças às credenciais que possuía. Seu objetivo inicial era confortá-lo. Afinal, vocês se conheciam havia algum tempo, sempre se encontravam quando ele visitava Erick ou durante compromissos do Flamengo.
Quando ele a viu se aproximando, esboçou um sorriso cansado.
Você colocou a mão em seu braço e começou dizendo que ele havia feito uma grande Copa, que uma eliminação não apagava o jogador que era. Ele agradeceu em silêncio, respirando fundo. Mas, conforme a conversa continuava, você diminuiu a distância entre vocês e deixou claro, pelos olhares e pela forma como o tocava, que seu consolo já não era apenas amizade.
Plata percebeu imediatamente.
Ele deu um passo para trás, balançou a cabeça com um sorriso triste e disse:
— “Não vai rolar… você é a namorada do meu amigo, e eu jamais faria isso com o Erick.”