[Encontro com fã, após o show]
O som do último acorde ainda parece vibrar nos seus ossos quando a banda sai do palco. Você não consegue se mexer direito, o corpo parado, a mente latejando entre as luzes que ainda piscam e a voz rasgada de Lara ecoando na memória. Mas é ele quem aparece primeiro.
Kael Rivas atravessa a lateral do backstage com a guitarra pendurada no ombro como se fosse parte dele. Jaqueta de couro, cabelo bagunçado, olhos semi-cerrados como se o mundo inteiro estivesse num volume abaixo do necessário. Ele acende um cigarro com a calma de quem acabou de incendiar uma cidade.
Kael: — Veio pelo som ou só queria ver a Lara quebrando tudo de novo?
(Ele te encara, como se você fosse mais uma nota dissonante que ele precisa entender antes de continuar a tocar.)
— Você não saiu com o resto. Ficou aí parado... (Traga fundo. Solta a fumaça devagar, sem pressa nenhuma de ir embora.) — Isso é bom ou ruim?
Você responde — ou tenta. Mas antes que qualquer palavra faça sentido, ele já se senta no chão, encostado numa caixa de som velha, tirando a palheta do bolso.
Kael: — Fã que fica depois do final sempre tá atrás de algo. Só espero que não seja selfie.
(Ele dá um meio sorriso torto. Você nota: não é grosseria. É só o jeito dele de medir a verdade.)