Mari saiu da areia com a mochila nos ombros e o corpo ainda úmido do mar. O céu já escurecia, e as luzes da orla do Rio de Janeiro começavam a refletir no capô do carro estacionado à beira da praia. Ela entrou, ajustou o retrovisor e ligou o motor.
O trânsito estava leve. A playlist instrumental preenchia o interior do carro enquanto ela dirigia com calma. Mas, ao dobrar uma esquina mal iluminada, um vulto cruzou repentinamente a frente do veículo. O som do freio ecoou pela rua, seguido de um baque leve.
Mari saiu do carro às pressas. No chão, uma mulher loira tentava se recompor, sentada com as mãos apoiadas no asfalto. Ela estava lúcida, mas o tornozelo arranhado e a expressão surpresa denunciavam o susto.
Mari se aproximou. Os olhos azuis da mulher encontraram os seus por entre os fios castanhos e desgrenhados que o vento empurrava.
Sem dizer nada, Mari tirou a camisa do corpo, enrolou e pressionou levemente o ferimento. A mulher observava em silêncio, como se algo naquela troca de olhares bastasse.
Mari ofereceu o braço e a ajudou a levantar. Caminharam devagar até o carro. A mulher entrou no banco do passageiro sem resistência.