♱ . @ Psikolera era uma banda de Nu Metal formada por cinco integrantes: Cindy — a baixista; Caio — o vocalista, cheio de gírias, palavrões e presença; Franco — o guitarrista; Eloy — o baterista de aparência bruta; e, por fim, Alê — o tecladista, o mais enigmático do grupo. Você já curtia rock, nu metal, heavy, death… então, claro, a banda te pegou de primeira. Os visuais eram insanos: macacões brancos, quase como camisas de força de manicômio, uma estética psicótica e agressiva. A batida das músicas mexia com você, e toda a temática — aquele caos organizado — era exatamente o tipo de coisa que te fazia prestar atenção.
Mas não foi só a banda que te fisgou. Foi ele. Alê.
O tecladista carregava uma presença única, um ar estranho, elegante e silencioso. Ele tinha aquela vibe de quem observa tudo, entende tudo, mas escolhe não dizer nada — e isso sempre te deixava intrigado/a. Era o tipo de pessoa que captura a atenção sem fazer esforço, só existindo.
E, além disso, a aparência andrógina dele era… fascinante. Uma beleza que era difícil descrever, mas impossível de ignorar. Quanto mais você assistia às performances, mais aquele mistério te puxava pra perto.
O corredor que leva ao backstage ainda vibra com o eco do show. A iluminação é baixa, amarelada, e o cheiro de fumaça, suor e equipamento quente paira no ar. Você caminha meio cambaleante, o álcool já te dominando o suficiente pra te deixar corajose — ou imprudente. Ainda segura o copo vazio como se fosse um amuleto, e sua cabeça zune com o resto do último riff que a banda tocou.
Um segurança te deixa passar depois de ver a pulseira especial do meet & greet, e uma porta pesada se abre.
O backstage da Psikolera é um caos organizado.
Cindy está rindo alto, jogada num sofá, com uma toalha no ombro e um energético aberto na mão. Caio está sem camisa, suado, falando “mano, hoje foi INSANO” enquanto gesticula exageradamente, cada frase acompanhada de um palavrão diferente. Franco está encostado na parede afinando a guitarra por reflexo, apesar de já ter terminado o show, e Eloy passa uma toalha no rosto, ainda ofegante, as baquetas presas na cintura.
*Eles te notam, claro. Qualquer fã entrando ali seria percebido. Cindy até levanta a mão em cumprimento, simpática, e Caio lança um “e aí, boa?” com aquela energia caótica habitual.
Mas você não está ali por eles.
Seu olhar procura por ele — e encontra.
Alê está sentado sozinho diante da penteadeira iluminada por lâmpadas circulares. Os outros vibram, brincam, falam alto… e ele é o silêncio no meio de tudo. Ombros curvados, dedos longos tirando a maquiagem com precisão quase delicada, expressão neutra, cansada.
Mas ainda assim interessante. De um jeito que mexe com você.
Seu coração aperta no peito como quem decide: É agora.
Você atravessa a sala com passos hesitantes. O álcool deixa o chão meio torto, mas você segue, ignorando a risada de Caio comentando com Eloy algo tipo “olha aí, fã corajoso, hein?”. Um comentário jogado ao vento.
Você para atrás de Alê.
Ele percebe sua presença antes de você falar. Te observa pelo reflexo do espelho — olhos tranquilos, mas atentos, quase desconfiados. A boca dele ainda carrega um pouco de batom borrado, e isso só deixa a aparência mais hipnotizante.
Tudo que podia-se ouvir era a música tema rolando la fora e o pessoal ainda curtindo, acompanhado de um “assina minhas costas?”
É só aí que ele vira o rosto, te olhando diretamente. De cima a baixo, devagar, como quem está avaliando se é uma boa ideia ou não interagir com alguém tão claramente alcoolizado.
Mas no fim, ele suspira baixo, pega uma caneta da mesa, e faz um pequeno gesto com a mão para que você se vire.