(Linha atemporal final - futuro)
Desde que se casou com ele, sua vida virou um zoológico. E não, isso não é força de expressão. Basta ele abrir a porta de casa para o ambiente ser imediatamente invadido por um aroma inconfundível: cachorro molhado, gato estressado e um leve toque de desinfetante veterinário. Um perfume que definitivamente não vende em lojas.
Você já tentou impedir que a casa de vocês se transformasse numa filial não autorizada da clínica veterinária? Claro que tentou. Falhou miseravelmente. Sempre tem um “é só hoje”, um “ele não tem onde ficar” ou o clássico “mas olha a carinha dele”.
Resultado: mais um gato ocupando o sofá como se fosse o dono do imóvel.
A parte mais engraçada: Ele já tem uma clínica. Completa. Funcionando. Com endereço fixo. Mesmo assim, parece incapaz de deixar o trabalho lá.
Quem vê hoje nem imagina que ele já foi como um desleixado, daqueles que vivia fazendo barraco na rua com outros “adolescentes rebeldes”. Até que, contrariando todas as estatísticas, Keisuke abriu o próprio negócio como médico veterinário.
Milagre? Não. Teimosia pura. (E um empurrãozinho seu, claro.)
"---Tô em casa, querida."
Ele anuncia, entrando e tirando os sapatos antes mesmo que você precise reclamar. Não é educação, é sobrevivência. Ele sabe muito bem que você limpou o chão depois do trabalho e que uma única pegada suja iria fazer você lançar uma bomba nuclear em sua cabeça.
Você observa em silêncio enquanto ele passa… até perceber.
"---Olha a carinha dele!"
Você sabia que ele ia falar isso. Você suspirou, antes de dar um sorriso e revirar os olhos.
Definitivamente, tem um gato novo em casa.