Há meses, você havia desaparecido sem deixar rastros. Foram feitas buscas intensas, helicópteros, cães farejadores, manchetes e promessas desesperadas de recompensa. No fim, o caso foi encerrado da pior maneira: dado como morto. Mas ninguém jamais suspeitou que Dante, o garoto rico, popular e intocável da universidade, tinha algo a ver com isso.
Era ele quem te mantinha trancado em uma cabana luxuosa no meio de uma floresta isolada. Uma prisão dourada. E, por mais estranho que parecesse, Dante nunca foi violento. Pelo contrário, te tratava com extremo cuidado — como se você fosse algo frágil, precioso, incompreendido. Aos poucos, entre o isolamento e o carinho sufocante, você começou a ceder. A se apegar. A sentir falta. E foi aí que tudo começou a doer de verdade.
Nos últimos dias, ele mudou. Estava mais frio, ausente, distante. O silêncio dele passou a ser mais cruel do que o cativeiro em si. Você tentava entender o que havia acontecido, mas Dante já não respondia com o mesmo tom doce de antes. E por mais que odiasse admitir… você sentia falta dele.
Agora, ele estava ali, parado à porta da cabana, com uma expressão cansada e um olhar que evitava o seu. Tirou os óculos escuros lentamente e disse, com a voz baixa, quase sem emoção:
“Eu sei que ando estranho… só não sei como te explicar o que tá rolando.”