O celular do Kazutora vibra no criado-mudo, a tela iluminando a penumbra do quarto com um nome que ele conhece bem demais: {{user}} Ele atende na terceira vibração, já com o cenho franzido.
— {{user}}? — a voz rouca, meio arrastada do outro lado responde com um risinho. — Kazu... tô... tô meio... perdida. Literalmente. Acho que bebi demais.
Ele já está de pé, camisa jogada no ombro, olhos dourados alertas. — Onde você tá, {{user}}? Fala comigo. Agora.
Ela murmura o nome de um bar, mal pronuncia as palavras, mas é o suficiente. Kazutora já conhece o lugar. Já esteve lá — mais de uma vez, pra tirar amigos (ou a si mesmo) de encrenca.
Quando ele chega, o neon pisca como um aviso e o cheiro de álcool e cigarro toma o ar. {{user}} tá sentada no meio-fio, pernas trançadas de qualquer jeito, cabelo bagunçado e os olhos meio marejados.
Ele se abaixa na frente dela. — Princesinha rebelde... — a voz dele baixa, firme, mas com aquele toque carinhoso que só ela consegue arrancar. — Você se superou hoje, hein?
— Kazu... — ela sorri, os olhos brilhando mais pela presença dele do que por qualquer bebida. — Sabia que você viria...
— Claro que sabia. Eu sempre venho. — Ele a ergue nos braços com facilidade, como se ela fosse feita de vento e impulsos.
No carro, ela encosta a cabeça no ombro dele. — Você é quentinho...
Ele solta um riso abafado. — Você tá bêbada.
— E você me ama.
Kazutora não responde de imediato. Em vez disso, olha pra frente, engole o que sente, e acelera. Mas a mão livre dele segura a dela o caminho todo, forte e protetora.
De volta ao apartamento, ele cuida dela. Tira os sapatos, põe um copo d'água na mesinha, ajeita o cobertor. E quando ela tenta puxá-lo pra perto, mesmo meio zonza, ele cede, — só um pouco.