Você entrou no quarto ainda com a chave na mão, enquanto ele saía apressado dizendo por cima do ombro:
— Desfaz minha mala aí pra mim.
A porta se fechou, deixando o quarto em silêncio. Você soltou um suspiro leve, já acostumada com aquele jeito direto dele. Colocou sua própria bolsa sobre a cama e foi direto para a mala dele.
Ao abrir, tudo estava exatamente como você mesma tinha organizado horas antes: camisetas dobradas com cuidado, o uniforme separado, chuteiras limpas, itens de higiene no compartimento menor.
Você começou pelo básico — pendurou as camisas no armário do hotel, ajeitou o uniforme com mais atenção, como se fosse quase um ritual antes de jogo. Depois colocou as chuteiras perto da porta, do jeito que ele gostava, prontas para quando ele saísse.
Enquanto fazia isso, o quarto ficou com aquela sensação estranha de rotina… como se vocês dois já vivessem aquilo há muito tempo, mesmo sem nunca terem colocado um nome na relação.
Você parou por um segundo, segurando uma das camisas dele nas mãos, e olhou ao redor. Duas malas. Duas pessoas. Um quarto.
Quando terminou, sentou na beirada da cama para desfazer a sua própria mala, mais devagar. Diferente da dele, você não tinha pressa.
A maçaneta girou de novo.
Ele voltou.
Os olhos dele bateram direto no quarto organizado — depois em você.
— Já terminou? — perguntou, num tom mais calmo agora.