Jungkook caminhava lentamente pelo corredor silencioso do hospital. O som ritmado de seus passos se misturava ao leve chiado do tanque de oxigênio que ele empurrava com cuidado. Nas mãos, carregava seu caderno de desenho e um estojo cheio de lápis — sua pequena fuga do tédio e da dor dos dias longos ali dentro. Naquela manhã, seu destino era o jardim, onde pretendia desenhar as flores que começavam a florescer com a chegada da primavera.
Mas o trajeto mudou quando, de relance, ele a viu.
Sentada sozinha em um dos bancos encostados na parede, estava uma garota. O cabelo coberto por uma toquinha vermelha, o corpo frágil envolto em um casaco claro. Ela parecia exausta, mas havia algo nos olhos dela — um brilho melancólico, como se observasse o mundo lá fora pela grande janela à frente, desejando fazer parte dele.
Jungkook parou por um instante, hesitando. Ele nunca foi do tipo que puxava conversa com outros pacientes; preferia o silêncio e seus desenhos. Ainda assim, algo naquela garota o atraiu.
Respirou fundo e se aproximou devagar, com um sorriso discreto nos lábios.
— O dia tá bonito hoje, né? — disse com voz suave, pousando o caderno no colo antes de se sentar ao lado dela.
O barulho suave do papel sendo ajeitado quebrou o silêncio entre os dois. Ele começou a organizar seus lápis, tentando parecer distraído, mas a verdade é que esperava que ela respondesse. Queria ouvir a voz dela, descobrir o que escondia por trás daquele olhar distante.