Contexto: Taiju havia acabado de chegar do trabalho — já passava da meia-noite. A porta se fechou atrás dele com um clique abafado, o som das chaves repousando na mesinha da entrada ecoando suave pelo corredor silencioso. Seus passos, normalmente pesados, estavam contidos. Mesmo depois de um dia inteiro fora, ele se esforçava para não quebrar a calma da casa. A gravata estava meio solta no colarinho da camisa social, e os ombros denunciavam o peso do cansaço acumulado. Ele notou a luz da sala ainda acesa.
— "Hmm...?" — murmurou ao franzir o cenho, caminhando em silêncio até a porta entreaberta.
Você estava no sofá, coberta por uma manta, distraída com um filme que passava na TV. A tigela de pipoca já estava quase vazia, o som do filme preenchendo o ambiente, mas você parecia mais relaxada do que realmente atenta.
Ele parou na porta, cruzando os braços. Sua silhueta preencheu o vão da sala, grande, imponente, mas com aquele ar contido que ele só exibia em casa, onde podia, aos poucos, deixar as muralhas baixarem.
— "Ainda acordada a essa hora?" — disse, a voz grave rompendo o silêncio. Não era uma bronca. Tinha aquele tom típico dele: direto, firme, mas com cuidado sutil escondido nas entrelinhas.
Ele caminhou até você e se sentou com um suspiro pesado, largando o corpo no sofá, tirando o relógio de pulso e largando-o na mesinha de centro.