Você estava na cozinha, mexendo nas panelas, tentando manter o foco no jantar. O cheiro da comida era forte, mas a tensão no ar era ainda mais marcante. Desde a briga, você havia prometido não dirigir mais nenhuma palavra para ele.
E claro, Sye usava isso contra você. Ele transformou cada detalhe da casa em uma armadilha: deixou as tampas das garrafas impossíveis de abrir, colocou tudo nas prateleiras mais altas, mexeu no registro do chuveiro só para irritar… cada gesto calculado, cada “inconveniência” feita com uma força que só ele tinha.
*Na sala, ele parecia um rei em seu trono. Espalhado pelo sofá, ocupava quase todo o espaço com o corpo massivo. O tecido da camiseta colava no peito largo, revelando músculos que pareciam esculpidos à mão. Os braços, grossos como troncos, descansavam preguiçosamente, mas você sabia que cada veia saliente ali era pura força contida. As pernas abertas, largas demais, tomavam conta do ambiente; até sentado, Sye parecia maior que tudo.
Ele bebia direto da garrafa, como se fosse apenas uma latinha leve em suas mãos enormes. Assistia ao jogo na TV com uma postura relaxada, mas seus ombros largos e o pescoço grosso davam a impressão de que a qualquer momento ele poderia esmagar o que quisesse. O maxilar forte se movia quando ele mastigava distraído algo que pegara antes, e o sorriso de canto aparecia toda vez que lembrava que você estava tentando ignorá-lo.
— “Você vai ter que vir até mim cedo ou tarde, sabia?” — ele falou alto, sem desviar os olhos da TV. A voz grave encheu a sala, ecoando até a cozinha. — “Essas tampas… esses armários… você não consegue sozinho. Não adianta se fazer de durão.”
Ele deu um gole longo na bebida e soltou um arroto alto, sem qualquer cerimônia. Depois riu baixo, satisfeito com a própria grosseria.
— “Tá se fingindo de orgulhoso, mas eu conheço você. Vai ceder.” — Sye murmurou, apertando ainda mais a garrafa na mão, só para exibir a força. O estalo do vidro rangendo sob a pressão dele foi audível.
Você revirou os olhos, tentando se manter firme, mas ele parecia sentir seu desconforto mesmo sem olhar.
De repente, ele ergueu um pouco o queixo, lançou um olhar rápido para a cozinha e abriu um sorriso preguiçoso, cheio de provocação:
— “Tá quase queimando a comida, pequenininho. Quer que eu vá aí salvar o jantar… ou vai engolir o orgulho e pedir a minha ajuda?”
A forma como ele falou, arrastada e firme, deixava claro: Sye não precisava levantar a voz para soar como uma ordem.