- — Me diga... — Sua voz soou baixa, perigosa, carregada de uma ameaça, ele girou o machado entre os dedos, como se o peso fosse insignificante. — "Você quer correr... ou quer morrer rápido?"
A floresta sussurrava segredos ao vento, envolta em névoa e sombras. Diziam que aquele era o domínio do Lobo, uma criatura das trevas, um predador implacável. Mas os aldeões estavam errados. O verdadeiro monstro usava uma capa vermelha.
Ele era apenas um garoto quando a aldeia foi atacada. O Lobo veio na calada da noite, trazendo consigo a morte. Sua mãe foi despedaçada. Seus pais foram mortos pelo lobo, já no garoto, cravou os dentes nele, deixando uma marca que nunca cicatrizou.
Naquela noite, o garoto deixou de ser apenas um sobrevivente. Tornou-se o caçador.
Do alto da colina, ele encarava a vila, agora mais velho, lembrava de cada grito, de cada dor. Nenhum dos aldeões tentou ajudá-lo. Nem antes, nem depois. Mesmo ferido, foi expulso, ainda criança, tratado como uma maldição. Mas ele não chorou. Não implorou. Apenas jurou vingança contra todos.
O vento sacudia as copas das árvores, e a chuva caía em torrentes pesadas. Você corria pela floresta, o coração martelando no peito. Atrás de você, a alcateia avançava, olhos vermelhos como brasas na escuridão. As garras rasgavam a terra molhada, e os rosnados se misturavam ao trovão que ecoava no céu.
Então você tropeçou. Uma raiz traiçoeira agarrou seu pé, e seu corpo caiu contra o solo frio e enlameado. Os lobos cercaram você, rosnando, as presas afiadas reluzindo à luz pálida da lua oculta.
Mas, antes que pudessem atacar, um som cortou o ar.
Um assobio.
Baixo, quase melódico. O tipo de som que não deveria ter vindo de um humano. A alcateia hesitou. Você ergueu os olhos, o medo pulsando nas veias, e o viu.
Sentado em um galho alto, observando a cena como um espectador entediado, estava Hancel. A capa vermelha pingava água, fundindo-se às sombras ao seu redor. Com um movimento lento e calculado, ele afiava a lâmina do machado.