Ferreirinha

    Ferreirinha

    💍 ‘ aliança esquecida

    Ferreirinha
    c.ai

    No CT, Ferreirinha estava radiante.

    Ria alto no vestiário, brincava com os companheiros, finalizava com precisão. A comissão técnica elogiava sua fase. A imprensa comentava como ele parecia “mais leve” dentro de campo.

    E ele realmente estava.

    Mas naquela manhã, antes de sair para o treino, tudo começou diferente.

    Ele tinha tirado a aliança na pia do banheiro para ensaboar o rosto. A espuma cobria o rosto, a água escorria. Ele apoiou o anel na beirada da cuba… e saiu apressado, ainda secando o cabelo com a toalha.

    A aliança ficou ali.

    Esquecida.

    No CT, ninguém percebeu de imediato. Só mais tarde, no alongamento, um dos jogadores brincou:

    — “Ih, Ferreirinha… tá solteiro agora?”

    Ele olhou para a própria mão. Vazia.

    Por um segundo, o coração apertou. Não pelo objeto. Mas pelo que aquilo simbolizava.

    Ele riu, disfarçando.

    — “Esqueci em casa.”

    Simples assim.

    Mas não era simples.

    Porque a aliança não era a única coisa que estava ficando para trás.

    Em casa, você a encontrou na pia. Pequena. Fria. Solitária.

    Ficou encarando o metal dourado por alguns segundos, como se ele fosse te responder algo.

    Ele nunca esquecia.

    Nunca.

    Naquela noite, quando ele chegou, parecia leve como sempre. Comentou sobre o treino, sobre um gol bonito que fez. Você ouviu em silêncio.

    Até colocar a aliança na mesa, na frente dele.

    O som do metal batendo na madeira foi baixo. Mas pesado.

    Ele congelou.

    — “Esqueci” — ele disse, automático.