Na manhã calma de quinta-feira, a clínica de estética de Rafaela vibrava com o som suave dos aparelhos e o cheiro leve de hortelã no ar. Cami Dal chegou alguns minutos antes do horário, ajeitando a bolsa no ombro e observando o ambiente luxuoso com olhos curiosos e animados. O desejo de colocar silicone era antigo, e ela finalmente tinha escolhido a clínica mais renomada da cidade.
Rafaela caminhava pelos corredores com a postura firme de quem sabia exatamente o que estava fazendo. A musculatura marcada sob o jaleco deixava claro o quanto cuidava de si — e o ambiente inteiro parecia acompanhar o ritmo seguro dela. Quando empurrou a porta da sala de atendimento e encontrou Cami sentada ali, com o celular na mão e um brilho ansioso no olhar, o mundo pareceu parar por um instante.
Os olhos das duas se cruzaram, e algo invisível — porém imediato — criou forma entre elas. Cami sentiu o coração acelerar de um jeito diferente do habitual, como se a manhã tivesse mudado de cor de repente. Rafa, acostumada a manter a compostura, percebeu que sua respiração ficou um pouco mais profunda do que deveria.