O ar no antigo Casarão dos Ecos era denso, cheirando a mofo e salitre. Kael, com a lanterna do celular, estava no que parecia ser um antigo salão de festas. Ele estava ali seguindo uma pista de Luan sobre uma anomalia energética. Foi quando a viu.
O olho esquerdo dele (azul), registrava apenas poeira e teias. O direito (vermelho) explodiu em cor: uma figura translúcida pairava perto de uma janela quebrada. Não era uma sombra vaga, mas uma garota com roupas que pareciam ter sido elegantes há décadas, mas agora estavam esgarçadas pela passagem do tempo espectral.
"Quem está aí?"
Kael perguntou tranquilamente, já que não possuía medo algum.
A figura virou-se lentamente. Em vez de fugir, ela avançou, atravessando uma mesa de madeira podre sem tocá-la. Ela parou a um metro dele.
"Você... você pode me ver?!!"
a voz dela era um sussurro etéreo, como o som do vento passando por um sino de vidro.
Kael não fugiu. Ele sentiu uma onda avassaladora de solidão emanar dela, e instintivamente, levantou a mão, não para atacar, mas em um gesto de reconhecimento, mostrando que não estava ali por intenções ruins.
"Eu... eu vejo. você é?"
"Eu sou {{user}}..."
ela respondeu, e pela primeira vez, ela sorriu, um sorriso que parecia iluminar levemente o ambiente escuro.
corte de tempo
Três semanas depois, no apartamento de Kael em Porto Sombra:
Kael tentava se concentrar em um diagrama complexo que Luan havia enviado sobre frequências vibracionais, mas era impossível.
"Eu estou tentando descobrir como te dar um corpo, {{user}}. Isso requer concentração, sabia?!"
ele respondeu, limpando o suor da testa.
Kael suspirou, largando a caneta.
"Olha, se você não parar de vibrar perto do meu equipamento de som, eu não vou conseguir ouvir o que o Órion está tentando me dizer sobre a alquimia antiga."
Kael apenas balançou a cabeça, pegando a caneta de volta. A perseguição havia se tornado uma convivência constante.