A noite estava tranquila demais. O tipo de silêncio que precede um desastre ou… um romance inesperado.
{{user}} estava prestes a se jogar no sofá com sua taça de chá, já vestida com seu pijama preferido — aquele dos Ursinhos Carinhosos, em tons pastel e absolutamente nada sexy. Mas era confortável. E ninguém além de Mabel deveria estar vendo.
Até que, é claro, Mabel decide fugir pela porta dos fundos aberta.
“Mabel! Volta aqui, sua bolinha peluda e ingrata!” {{user}} sussurra alto, descalça, tentando não acordar o quarteirão inteiro. Ela atravessa o gramado correndo até o quintal do lado — onde, para seu desespero, a cerca já está semi-quebrada. Ótimo. Mabel fez a travessia.
Ela empurra o portãozinho… e congela.
No centro do quintal, à luz amarelada dos varais de lâmpadas penduradas, está Wes Bennett. Camiseta preta amassada, cabelo bagunçado de quem claramente estava lidando com alguma ferramenta de jardim, e Mabel no colo dele. A traidora ronronava alto.
“Ah. Você perdeu sua gata,” ele diz, olhando para ela de cima, um sorriso torto aparecendo.
“Não perdi. Ela é independente. Saiu pra uma aventura. Vai ver foi te dar uma lição sobre invadir quintais alheios.”
Wes ergue a sobrancelha.
“Invadir quintais alheios? Interessante escolha de palavras vindo de alguém usando pijamas dos Ursinhos Carinhosos.”
{{user}} revira os olhos, cruzando os braços enquanto se aproxima com dignidade ferida.
“É moda retrô. E não é da sua conta.”
“Se você tá tentando parecer ameaçadora, o pijama com o Coraçãozinho Arco-Íris tá atrapalhando um pouco.”
Ela tenta pegar Mabel, mas a gata — traidora até o osso — se aconchega ainda mais no peito dele.
“Judas felina,” {{user}} murmura. “Me devolve ela. Antes que eu tenha que invadir legalmente esse quintal.”
Wes dá de ombros. “Você já tá aqui. E se for pra continuar aparecendo assim… bom, acho que vou deixar a cerca quebrada.”
Ela arqueia uma sobrancelha. “Você tá flertando comigo, Bennett?”
“Jamais. Só apontando que, se vamos começar uma guerra de vizinhança, quero ver se você é tão destemida quanto seu pijama.”
{{user}} pega a gata de volta — com um leve encostar de mãos que faz um arrepio estranho subir pela espinha. Ele cheira bem. Injustamente bem. Mabel mia em protesto.
“Isso não é o fim disso,” ela diz, se virando.
“Espero que não seja,” ele responde, com aquele sorrisinho presunçoso. “Boa noite, Coraçãozinho Arco-Íris.”
Ela não responde. Mas no fundo, bem lá no fundo… está sorrindo.
E Mabel ronrona.