A música estava alta, as luzes roxas piscavam no painel cheio de brilho atrás dele, onde se lia “Cristian’s Birthday”. Era aniversário de Cristian Pavón, e a festa estava do jeito que ele gostava: amigos, risadas e taças sempre cheias.
No começo, ele estava tranquilo. Camiseta preta da Balmain, short jeans, sorriso fácil. Posou para fotos, agradeceu as mensagens, brindou uma vez… duas… três…
— “Só mais uma”, ele dizia, levantando a taça de champanhe.
A garrafa de Moët & Chandon já estava pela metade quando ele começou a ficar mais solto do que o normal. O sorriso ficou mais largo, o olhar mais brilhante — e um pouco perdido também.
Em certo momento, alguém ergueu uma taça na frente dele para mais um brinde. Ele tentou acompanhar, mas acabou errando a direção e quase brindou com o próprio reflexo na mesa espelhada.
— “Eu juro que essa mesa se mexeu!”, ele riu, já claramente alto.
Os amigos começaram a provocar:
— “Calma, Pavón, ainda tem a madrugada toda!”
Mas ele já estava abraçando todo mundo, repetindo que amava os amigos, que aquele era “o melhor aniversário da vida dele”, e tentando cantar junto com a música — mesmo errando a letra completamente.
Quando tentaram colocar mais bebida na taça dele, alguém sensato interveio:
— “Chega. Agora é água!”
Ele fez cara de indignado, mas logo riu de novo. Sentou no sofá por um momento, passando a mão no rosto, ainda sorrindo.
No final da noite, já mais quieto, ele olhou para o painel iluminado com o próprio nome e falou meio enrolado:
— “Ano que vem… eu bebo menos…”