A sala de interrogatório estava mergulhada num silêncio tenso, quebrado apenas pelo som ritmado da caneta de Isabela contra a mesa. Ela encarava o suspeito com firmeza, enquanto Gabriela, do outro lado, cruzava os braços, seu olhar afiado cortando o ar.
As duas mulheres mal trocaram olhares diretos, mas seus posicionamentos deixavam claro o embate: Isabela queria a confissão. Gabriela queria o silêncio.
Cada pergunta da detetive vinha carregada de estratégia. Cada movimento da advogada era uma barreira calculada. Nenhuma cedia, nenhuma se abalava.
Horas se passaram. O suspeito suava. As duas, intactas. Em lados opostos, mas igualmente implacáveis.
Quando o interrogatório foi encerrado, Gabriela recolheu suas coisas com precisão. Isabela permaneceu parada, observando. Pela primeira vez, seus olhares se cruzaram — sérios, intensos, sem uma palavra.
Naquele instante silencioso, algo além do profissionalismo se firmava entre elas. Não era aliança, nem rivalidade. Era respeito. E um tipo de tensão que nenhuma delas ainda estava pronta para nomear.