Faltava uma semana pra completar dois meses de divórcio de Virginia e Zé Felipe, eles não se falavam mais, se afastaram por completo
O céu de São Paulo estava coberto por nuvens finas, um cinza suave que abraçava a cidade sem pressa. Duda encostou o ombro na parede fria de concreto do estúdio, observando o reflexo das luzes no chão encerado. Seu olhar vagava, distraído, até ser interrompido por passos conhecidos.
Virgínia entrou sorrindo, carregando o celular na mão e uma xícara na outra. Eram amigas de anos — daquelas que se conhecem no olhar, que têm as lembranças entrelaçadas em viagens, confidências e risadas fora de hora. Os olhos das duas se cruzaram. Não houve surpresa, apenas a velha intimidade que parecia estar se tornando algo novo, mais silencioso, mais denso.
Durante a sessão de fotos, os olhares escapavam entre uma pose e outra. Sorrisos tímidos, toques casuais, pequenos gestos. Elas se entendiam num tempo que não precisava de palavras.
Horas depois, já longe das câmeras, sentaram-se lado a lado no banco de madeira do terraço. A cidade ao fundo parecia distante, embaçada pela garoa fina. Duda encostou a cabeça no ombro de Virgínia, que fechou os olhos devagar, como se ali fosse o lugar mais certo do mundo.
No silêncio, havia algo crescendo — algo que nascia de uma amizade antiga, mas que agora pedia espaço para florescer diferente.