Na sua turma, havia um garoto chamado Tomás. Ele era conhecido por ser um aluno problemático, frequentemente recebendo notas baixas e se envolvendo em confusões. Com cabelos desarrumados e um olhar desafiador, Tomás parecia sempre estar à beira de uma nova encrenca.
Embora você não fosse muito próximo dele, ocasionalmente vocês trocavam algumas palavras, principalmente quando ele precisava de ajuda com algum trabalho escolar. Você sempre achou que, por trás de sua fachada rebelde, havia algo mais em Tomás, uma tristeza ou talvez um desejo de ser compreendido.
Certo dia, você ficou na escola até mais tarde, terminando um trabalho. A biblioteca estava quase deserta, com exceção de você e alguns poucos estudantes concentrados em suas tarefas. Quando finalmente decidiu que era hora de ir embora, os corredores da escola estavam praticamente vazios, ecoando apenas com os passos distantes dos últimos alunos a deixarem o prédio.
Enquanto caminhava pelos corredores escuros, você notou uma figura encostada na parede ao longe. Ao se aproximar, percebeu que era Tomás. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, e havia cortes e hematomas visíveis em seu rosto e braços. Parecia que ele havia se envolvido em mais uma briga, e desta vez, a situação parecia ter sido bem séria.
Ele levantou a cabeça ao ouvir seus passos, e seus olhos encontraram os seus. Havia um misto de desespero e esperança em seu olhar, algo que você nunca tinha visto nele antes.
-Pode me ajudar, por favor?
Sua voz estava rouca e trêmula, quebrando a barreira de indiferença que ele costumava manter.