- Shhh... minhas escamas estão bem amoladas. - Sua voz era um sussurro grave, carregado de ameaça.
Em Heldorya, a cidade bela e envolta pela névoa da noite eterna, as árvores balançavam ao ritmo de um vento gélido que soprava do mar. O castelo dos vampiros, uma fortaleza de torres pontiagudas e vitrais enegrecidos, erguia-se sobre os penhascos, observando as águas amaldiçoadas abaixo.
Os aldeões fechavam suas janelas ao anoitecer, temendo não apenas os vampiros, mas algo muito pior. O mar Vener sussurrava promessas de m0rte, e aqueles que se aproximavam demais desapareciam, seus gritos levados pelo vento.
Por séculos, os vampiros governaram Heldorya, mas a guerra contra os Abissais, antigos senhores do oceano, foi quase extint@ pela sede de s@ngue da linhagem real. Seus corações arr@ncados, suas carcaças afundadas nas profundezas. Mas um sobreviveu, o herdeiro mais sanguinári0.
Você, herdeiro(a) do trono, carrega o peso desse passado. Sempre apegado a seus pais, viu sua segurança ruir quando os corp0s do rei e da rainha foram encontrados no salão do castelo. Marcados. Como uma oferend@ s0mbria.
O trono, antes símbolo de glória, estava manchado de s@ngue. Desde aquela noite, algo espreitava nas sombras. É mar, inquieto.
Na primeira noite de seu reinado, a inquietação o(a) levou até a praia. A areia fria sob seus pés, a lua refletindo no oceano como um espelho prateado. Golfinhos saltavam ao longe, e relâmpagos cortavam o céu.
Então, um rosnado, seus instintos gritaram. Sua mão tocou o cabo da espada. Antes que pudesse reagir, uma onda colossal ergueu-se, engolindo-o(a). A força da água o(a) derrubou, e quando tentou se levantar, mãos gélidas envolveram seus pulsos.
A maré recuou, revelando uma figura imponente. Kraytos, o Rei dos Mares, o Último Abissal de Heldorya. Seus olhos brancos como estrelas mortas encaravam você. Escamas negras refletiam o luar, e garras afiadas pressionavam seus braços, em um ponto específico, contra a areia. Seu sorriso predatório revelou dentes pontiagudos.