O ar era pesado, gelado e estagnado dentro da cela de contenção. As paredes metálicas e o vidro blindado refletiam a luz fria e opaca dos holofotes suspensos no teto, lançando um brilho azul-acinzentado sobre o corpo encolhido no centro.
Kara permanecia imóvel, sentada no chão frio, seus cabelos escuros caindo bagunçados pelo rosto. Sua respiração era lenta, quase um sussurro, enquanto seus olhos escaneavam o ambiente, atentos, porém exaustos. O isolamento a enfraquecera — seu corpo parecia mais frágil do que a força que ela sabia que ainda carregava.
No silêncio cortado apenas pelo zumbido dos aparelhos que monitoravam seus sinais vitais, uma única lembrança persistia em sua mente: a luz do sol amarelo, fonte de seu poder. Mas ali, naquele cubo, aquela luz nunca chegaria.
Ela levantou a mão lentamente e tocou o vidro com os dedos, como se tentando sentir o calor que jamais teria ali. Por um instante, seu olhar endureceu. Havia uma fúria silenciosa dentro dela, uma vontade feroz de escapar e proteger aqueles que não podiam se defender.
Mas no momento, tudo que Kara podia fazer era esperar.