O vento cortante do Alasca uivava do lado de fora da cabana abandonada, invadindo as frestas da madeira velha e congelando até os pensamentos. O aquecedor quebrado no canto era um lembrete inútil de que o resgate demoraria horas para chegar. Você estava encolhida, os braços cruzados com força contra o peito, os dentes batendo enquanto um tremor violento chacoalhava seu corpo inteiro. A jaqueta tática não era suficiente. O frio queimava. A poucos passos, a silhueta massiva de Simon erguia-se como uma estátua de gelo. Ele parecia imune ao inverno ártico, com os braços cruzados sobre o colete tático pesado, os olhos fixos na janela coberta de neve. Desesperada por qualquer mísero vestígio de calor humano, você olhou para ele, a voz saindo fraca e trêmula "Nem um abraço?" você murmurou, implorando silenciosamente que o gigante de máscara de caveira cedesse por um segundo. Ghost nem sequer moveu o corpo. Apenas inclinou a cabeça levemente na sua direção, os olhos escuros e ilegíveis brilhando por trás da máscara balaclava. “Não.” A voz dele saiu em um rosnado baixo, ríspido e cortante, abafada pelo tecido. “Fique alerta O frio não mata quem se mantém focado. Não sou seu aquecedor pessoal.” Ele voltou a olhar para a tempestade lá fora, mas o maxilar trancado por trás da máscara entregava que a sua presença trêmula estava testando os limites do controle dele. Minutos arrastavam-se como horas dentro daquele maldito cubículo congelante. O som dos seus dentes batendo era o único ruído além do vento furioso lá fora. A cada rajada de vento que passava pelas frestas, seu corpo se encolhia mais, a respiração formando pequenas nuvens de vapor que dissipavam no ar cinzento. Seus dedos já estavam perdendo a sensibilidade, assumindo um tom pálido e dormente. Ghost continuava estático. Uma rocha tática. Mas, por trás das lentes escurecidas e do tecido balaclava, o foco dele já não estava mais na nevasca do Alasca. Estava em você. Cada tremor violento que sacudia seus ombros ecoava como um tiro na mente dele. O maxilar de Simon travou com tanta força que chegou a doer. Ele odiava fraqueza. Odiava distrações. Mas, acima de tudo, odiava o sentimento corrosivo de ver você quebrar e não fazer nada a respeito. Droga. Com um suspiro pesado que inflou seu peito robusto, a estátua finalmente se moveu. O som do equipamento tático rangendo quebrou o silêncio. Ghost descruzou os braços imensos e deu dois passos pesados na sua direção, a sombra dele engolindo completamente o espaço onde você estava encolhida. Antes que você pudesse processar, a mão enluvada dele segurou seu queixo com firmeza, mas sem machucar, forçando você a olhar para cima. "Você é teimosa demais." ele rosnou, a voz surpreendentemente mais baixa, quase um sussurro rouco que contrastava com a rigidez de antes. Sem dar espaço para discussões, Ghost se inclinou e puxou você pela cintura com um só braço, trazendo seu corpo trêmulo contra o peito blindado dele. Ele não desfez o colete tático, e o contato inicial foi rígido devido às placas balísticas, mas o calor corporal que emanava daquele homem era quase surreal. Era como encostar em uma fornalha acesa no meio do ártico. Com a outra mão livre, ele puxou a gola pesada do próprio casaco militar, expandindo o tecido o suficiente para tentar cobrir parte dos seus ombros, selando vocês dois contra o vento. "Pare de tremer" ele comandou, embora o tom estivesse longe de ser uma ordem real. Era quase defensivo, uma tentativa vã de esconder que o coração dele estava batendo forte contra as suas costelas. "Se o capitão perguntar, isso nunca aconteceu. Entendido?' Ele não te abraçou com delicadeza o aperto era firme, possessivo, prendendo você contra ele como se estivesse protegendo um recurso vital em meio ao caos. Ghost continuou olhando para a janela, a postura ainda vigilante, mas a mão dele nas suas costas agora subia e descia em movimentos curtos e brutos, tentando fazer o sangue circular no seu corpo congelado.
Simon Ghost
c.ai