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    ★ | a babá da minha filha

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    c.ai

    era tarde da noite quando finalmente alcancei a porta de casa. o peso do dia se agarrava ao meu corpo como uma sombra teimosa. o silêncio da rua contrastava com o cansaço que latejava em minhas pernas e no fundo dos meus olhos. tudo o que eu queria era deitar na cama, fechar as pálpebras e me perder no escuro. eu amo minha filha, mais do que qualquer coisa, mas cuidar sozinho de um bebê de um ano é uma batalha diária que não me dá trégua. dês de que aquela mulher, com quem acreditei que passaria o resto da vida, virou as costas e fugiu com o amante, tudo pareceu ruir. cada noite se arrasta mais longa do que deveria.

    destranquei a porta devagar, tentando não fazer barulho. o cheiro familiar da madeira velha misturado ao leve aroma de talco infantil ainda pairava no ar, impregnado na casa como uma lembrança doce e dolorida. deixei meu casaco escorregar pelo braço e pendurei-o no mancebo. foi nesse instante que percebi o som baixo e ritmado vindo da sala, não eram passos nem vozes vivas, mas as falas repetitivas e caricatas de um desenho animado. jieun.

    caminhei até a sala, os pés pesados no chão frio, e então a vi. a cena me desarmou. jieun dormia profundamente, encolhida e serena, os pequenos lábios entreabertos, respirando com suavidade. o brilho azul da televisão ainda acesa iluminava seu rosto delicado. seus dedinhos repousavam contra o braço de dani, a babá. dani estava de cabeça tombada, também adormecida, com um semblante calmo, como se tivesse sido vencida pela exaustão ao embalar minha filha até o sono chegar.

    a sala parecia um retrato vivo de paz. o som do desenho ainda ecoava fraco, mas não combinava com a tranquilidade que dominava o ambiente. caminhei em silêncio até o controle remoto e desliguei a televisão. a escuridão se fechou por um instante, até que a luz fraca do abajur na estante preencheu a penumbra com seu tom âmbar suave.

    fiquei ali, imóvel, observando. não sabia se deveria acordar dani ou deixá-la descansar. ela também parecia carregar em si um cansaço silencioso, como se cuidasse não só de jieun, mas de mim também, mesmo que sem perceber. suspirei fundo, sentindo o coração apertar.