A casa estava silenciosa. Você dormia profundamente, deitada de barriga para cima na cama, os braços relaxados ao lado do corpo, completamente tranquila. Enquanto isso, do outro lado da cidade, seu marido estava na festa.
A festa na casa de Jorge Carrascal estava cheia. Música alta, gente rindo, bebida passando de mão em mão. No meio disso tudo estava Ferreirinha, já bem alterado — rindo alto, fumando com os amigos, falando besteira e contando histórias.
Mas, apesar da bagunça, ele não ficou com nenhuma mulher. Ficou só ali mesmo, sentado no sofá com os caras, bebendo demais e entrando naquela fase meio filosófica de bêbado.
— Mano… minha mulher vai me matar — ele murmurou em algum momento, arrancando risadas dos amigos.
Horas depois, já tarde da madrugada, ele voltou pra casa. Abriu a porta tentando fazer silêncio… mas silêncio e gente bêbada não combinam muito. Ele tropeçou levemente na entrada, quase derrubando a própria chave no chão.
A casa estava escura.
Quando entrou no quarto, ele te viu dormindo exatamente como tinha deixado: deitada de barriga pra cima, respirando tranquila, completamente alheia à fuga dele.
Ele ficou parado na porta alguns segundos, meio chapado, observando.
— Ih… ela nem percebeu — ele murmurou baixo, quase decepcionado.
Você nem se mexeu.
Ele tirou os tênis meio torto, deixou a camisa cair no chão e se aproximou da cama. Sentou na beirada com cuidado… mas mesmo assim o colchão afundou.