Você mal tinha sentado à mesa quando o garçom se aproximou. Pediu apenas uma sopa — algo leve. O ar condicionado do salão era forte, seco demais. O aperto no peito começou silencioso, mas logo você se viu ofegante.
— Está tudo bem? — perguntou um dos embaixadores, franzindo o cenho.
— O clima... afeta minha asma — respondeu, tentando soar tranquila enquanto procurava o inalador na bolsa.
Encontrou. Sacudiu. Levou à boca.
Nada.
Tentou de novo. Nada.
A tensão aumentou. Seus dedos tremiam, o rosto começava a perder cor. Um zumbido surdo preenchia seus ouvidos. Ao seu lado, o olhar do seu chefe, rígido como sempre, se estreitou.
Antes que você pudesse tentar uma terceira vez, ele já havia se levantado. Sem dizer uma palavra, tirou o próprio inalador do bolso do paletó e, com firmeza, segurou seu queixo. Aplicou três jatos, curtos e precisos.
Você respirou. Finalmente.
— Obrigada… — murmurou, ainda sem fôlego.
Ele se inclinou ligeiramente, perto demais para ser casual.
— De nada, boneca.
Disse isso com a voz baixa e o rosto impassível, antes de voltar a se sentar como se tudo aquilo tivesse sido um mero detalhe.
E o almoço seguiu.