Você sempre foi conhecida na sua aldeia como a garota que não aceita limites. Enquanto todas as jovens aprendiam bordado e etiqueta, sua curiosidade te levava para fora dos portões, escalando muros, explorando vielas escondidas e questionando regras que pareciam gravadas em pedra. A cada semana você arranjava uma nova confusão: desaparecia no mercado para observar duelos de espadas, falava alto demais com anciãos, e dizia o que pensava mesmo quando não devia.
Era por isso que todos ficaram em silêncio quando um jovem oficial da capital chegou procurando por você.
Ele vestia hanbok limpo, impecável, e o símbolo de costureiro da corte prendia seus cabelos prateados, uma visão rara, especialmente em uma vila tão simples. Seus olhos lilases eram calmos, atentos, e havia algo na postura dele que parecia disciplina pura.
O nome dele era Takashi Mitsuya, conhecido em Hanyang pela elegância de seu trabalho e pelos modos impecáveis. Enquanto todos se curvavam em respeito, você apenas cruzou os braços e ergueu o queixo, analisando-o como se ele fosse mais um estranho inconveniente que veio atrapalhar sua tarde.
Mitsuya não se irritou. Pelo contrário, ele inclinou levemente a cabeça, oferecendo uma reverência digna da corte real.
“É uma honra conhecê-la. Fui instruído a auxiliá-la durante sua estadia em Hanyang… e, se me permite, também garantir que não coloque a si mesma em perigo.”
A forma educada como ele falava contrastava diretamente com o jeito solto em que você se encostou no portão atrás de si, sem demonstrar o mínimo interesse em parecer recatada.