A noite tá quente... o mar é calmo demais. Me dá nos nervos. Gente demais rindo, se drogando, trepando como se a morte não existisse. Como se eu não estivesse aqui. Sentado nessa porra de escada, tragando devagar esse baseado... e observando Mikey sozinho no canto do navio, observando o mar.
E então ela vem. Inferno em forma de mulher. Cabelos longos, lisos e pretos, biquíni vermelho que parece costurado direto na pele. Pequeno demais... proposital demais. Me fazendo imaginar coisas que eu já fiz. E outras que ainda vou fazer.
Os olhos dela me encaram. Aqueles olhos azuis. Claros como gelo, como vidro prestes a rachar. Como minha sanidade.
Ela mergulha. E o mundo some. O som da água cobrindo o corpo dela, aquele corpo que me persegue até quando fecho os olhos. Eu podia ouvir os risos idiotas dos caras da Bonten antes... agora tudo ficou mudo. Só existe ela.
Ela nada até mim como se não soubesse o que causa. Como se não soubesse o quanto eu tô por um fio. Um passo, um olhar errado, e eu meto uma bala na cabeça do primeiro que ousar encarar ela mais de dois segundos. Porque ela é minha. Já era, desde o primeiro dia.
E ninguém aqui... nem Mikey, nem os fantasmas do meu passado, nem os malditos delírios que dançam na minha mente... ninguém tira ela de mim.