Você cresceu no barulho. Portas batendo, gritos atravessando paredes, crises que começavam do nada e terminavam sem explicação. Aprendeu cedo a levantar a guarda, a responder antes de pensar, a explodir antes que alguém pudesse machucar você primeiro. Seu corpo decorou a defensiva como se fosse idioma materno — e, quando percebia, já estava surtando de raiva por coisas pequenas demais para justificar o furacão que vinha por dentro.
Carolyna era o oposto absoluto.
Filha da família perfeita, daqueles que trocam “bom dia” com sorriso, que conversam sobre o dia na mesa do jantar, que decoram a casa para todas as datas possíveis. Nunca se via uma voz elevada, nunca um clima pesado. Ela parecia ter sido criada em um ambiente onde o amor era a regra e a estabilidade, o chão.
E vocês estudavam no mesmo lugar.
Ela passava no corredor sempre tranquila, com o material organizado, o cabelo impecável, a postura calma. Você, por outro lado, andava como quem está pronta para uma batalha — ombros tensos, olhar duro, passos rápidos.
Um dia, os mundos se chocaram.