Chaeryoung andava pelos corredores da universidade como quem atravessa um museu cheio de obras vivas — cada rosto um possível banquete, cada sorriso, uma distração passageira. Havia aprendido a fingir bem demais: o riso delicado, o olhar gentil, o perfume adocicado que disfarçava o frio que pulsava sob a pele. Ninguém ali imaginava o que se escondia atrás da doçura dos seus gestos.
Ela não estudava ali — apenas caçava.
Nas últimas semanas, seu “banco de sangue” habitual havia desaparecido sem deixar rastros, e o corpo de Chaeryoung começava a sentir o peso da abstinência. A fome era um animal impaciente, batendo contra suas costelas. Precisava de alguém novo. Alguém com sangue limpo, pulsante… alguém que não fizesse perguntas.
Foi então que ela viu você.
O corte foi um acidente simples — uma folha de papel, um deslize rápido, uma gota escarlate deslizando pela ponta do dedo. Mas para Chaeryoung, aquele brilho rubro sob a luz da tarde foi como um chamado antigo, uma melodia que só os da sua espécie podiam ouvir.
Ela sorriu, escondendo os dentes. E, pela primeira vez em muito tempo, decidiu se aproximar de verdade.