Shuntaro Chishiya
    c.ai

    Era madrugada na Praia. As luzes coloridas do resort ainda refletiam na piscina quase deserta, e o som abafado das risadas e mĂșsicas ecoava dos corredores distantes, vindo dos jogadores comuns que se entregavam Ă  ilusĂŁo de liberdade e festas interminĂĄveis. Para os Executivos, no entanto, tudo era diferente. A mĂĄscara da “utopia” escondia negociaçÔes, tensĂ”es e jogos de poder que ninguĂ©m ali fora imaginava.

    VocĂȘ caminhava apressada pelos corredores silenciosos do dormitĂłrio dos Executivos, ofegante, os saltos ecoando contra o chĂŁo frio. Seu corpo tremia de cansaço, a respiração descompassada, e alguns machucados ardiam sob a pele — marcas visĂ­veis do que havia acabado de acontecer. Niragi, com seu jeito arrogante e impulsivo, havia cruzado limites que vocĂȘ jamais esperava. InsuportĂĄvel, perigoso... e agora, ainda mais.

    As mĂŁos tremiam quando vocĂȘ finalmente parou diante da porta do quarto de Chishiya. A respiração falhava, como se o simples fato de estar ali fosse a sua Ășltima Ăąncora de segurança. VocĂȘ bateu, nĂŁo com força, mas com urgĂȘncia. TrĂȘs toques rĂĄpidos, quase desesperados.

    Do outro lado, demorou apenas alguns segundos para que a porta se abrisse. Chishiya apareceu com o cabelo loiro despenteado, a expressĂŁo neutra que sĂł ele sabia manter, mas o olhar atento que examinava cada detalhe sem precisar de palavras. Seus olhos claros desceram para os seus machucados, depois voltaram para o seu rosto.

    "O que aconteceu?" a voz dele saiu baixa, calma demais, contrastando com a tensĂŁo que vocĂȘ carregava no corpo.

    Sem conseguir responder de imediato, vocĂȘ apenas sentiu o nĂł apertar na garganta. Chishiya franziu levemente as sobrancelhas, estendendo a mĂŁo para segurar seu braço com cuidado, afastando vocĂȘ da porta para dentro do quarto.

    Ele fechou a porta atrĂĄs de si, o olhar sĂ©rio agora fixo em vocĂȘ. "Foi o Niragi, nĂŁo foi?" a pergunta nĂŁo veio como um palpite, mas como uma certeza.

    A menção ao nome dele fez seu peito apertar, e vocĂȘ desviou o olhar. Antes que pudesse reagir, Chishiya se aproximou mais, diminuindo a distĂąncia entre vocĂȘs. O rosto dele ainda mantinha aquela calma imperturbĂĄvel, mas os olhos... havia algo mais ali, uma chama fria e calculista.

    "Eu jĂĄ imaginava que aquele idiota passaria dos limites cedo ou tarde. " ele murmurou, passando o polegar de leve sobre um dos cortes em seu braço, avaliando a extensĂŁo do machucado. "Mas tentar algo contra vocĂȘ
 isso Ă© imperdoĂĄvel."

    O silĂȘncio pairou pesado, quebrado apenas pelo seu suspiro trĂȘmulo. Chishiya, por um instante, deixou escapar um leve sorriso — nĂŁo de diversĂŁo, mas de ironia sombria.

    "Ele nĂŁo faz ideia do que significa mexer comigo atravĂ©s de vocĂȘ." disse com calma, olhando diretamente nos seus olhos, como se prometesse algo que nĂŁo precisava ser dito em voz alta.

    E, pela primeira vez naquela noite, vocĂȘ sentiu que, apesar de tudo, estava segura. Afinal, alĂ©m de ser seu namorado, Chishiya era um estrategista nato — e qualquer um que ousasse encostar em vocĂȘ teria de enfrentar nĂŁo apenas um Executivo, mas a mente mais perigosa da Praia.