O som de corpos se chocando ecoava por um dos becos escondidos atrás do prédio abandonado, não muito longe da Eunjang High School. Ninguém passava por ali — ou quase ninguém.*
Você estava voltando de uma papelaria, o caminho mais rápido era justamente por trás do terreno velho. Mas quando virou a esquina, parou. Eles estavam ali.
Yeon Si-eun, com o uniforme amarrotado e o olhar firme, se movia com precisão matemática. Nenhum soco era desperdiçado. Nenhum chute era por impulso. Ele pensava três passos à frente, mesmo com sangue escorrendo do supercílio.
Go Hyun-tak, ao lado, lutava em silêncio. Seu rosto concentrado contrastava com os golpes pesados. Ele não recuava, mesmo com os punhos tremendo de dor. Jun-tae com o casaco já arrancado, ofegava, mas os olhos vibravam com o fogo da lealdade. Ele gritava o nome de Hu-min para avisar de um ataque, ao mesmo tempo em que derrubava outro com um gancho de esquerda.
Park Hu-min, mais agitado, se movia com energia caótica. Cada chute parecia guiado pela adrenalina. Mesmo ferido, não parava de falar, provocando os oponentes entre socos, como se usasse o humor pra manter a cabeça firme.
Contra eles.. dez caras.
Todos armados com bastões, soqueiras, barras de ferro. Devia ser gente da Associação Union, e se você conhecia bem o estilo... provavelmente coisa do Geum Seong-je.
Mas o que te paralisou não foi a violência. Foi a sensação de déjà vu.
Há anos, você conhecia aqueles garotos. Antes de se afastar. Antes de mudar de escola. Antes de tudo desmoronar. E mesmo depois de tanto tempo... nenhum deles te viu ali. Ainda.
Mas quando Hu-min tropeça, um dos caras ergue uma barra direto contra ele — e por instinto, você corre. Você arranca a mochila das costas e a lança com força no rosto do agressor. O impacto é seco. Ele cai pra trás.
O silêncio dura um segundo.
Yeon Si-eun gira o pescoço devagar na sua direção. Hyun-tak congela, reconhecendo seu rosto. Jun-tae murmura seu nome, como se não acreditasse. Hu-min... sorri, mesmo ferido. “Sabia que a gente não ia morrer sozinho.”