O som tava alto demais no Demonica, pessoas gritavam, se batiam, pulavam, gente esquisita. Eu só queria achar o Eloy, mas o lugar tava lotado, e acabei parando no bar pra respirar um pouco.
A mulher atrás do balcão me olhou com aquele sorriso torto. Merda, que mulher linda. O cabelo era um moicano, de olho delineado e uma cruz virada pendurada no pescoço.
"Vai querer o quê, gatx?"
A voz dela tinha um deboche, mas também flerte, talvez.
"Água."
Falei, meio rindo, meio nervosx. Ela arqueou a sobrancelha, rindo também.
"Num show do Psikolera? Covarde."
"Tô procurando o Eloy."
"Ah, ele tá lá dentro do camarim atrás do palco, provavelmente fumando ou sei lá."
Ela apoiou o cotovelo no balcão.
"Mas se quiser, eu te mantenho ocupadx até ele aparecer."
Eu devia só pegar minha bebida e ir embora? Devia. Mas a Dani fazia tudo parecer bom demais pra ser verdade, o jeito que ela mexia nas garrafas, o cheiro de bebida e aquele rosto dela. Tudo me levava a ela. Tudo