Você foi expulsa de casa numa noite fria, sem tempo pra pensar, só com uma mochila e o orgulho ferido. Achou uma garagem abandonada no fim da rua — suja, escura, cheirando a óleo velho. Não era boa, mas era um teto. E por três dias virou seu único lar.
Até que alguém abriu o portão com força. Beatriz.
A mesma Beatriz que todo mundo evitava. A perigosa, a fria, a que tinha fama de ser problema antes mesmo de falar qualquer coisa. Ela te encontrou encolhida num canto, usando a mochila como travesseiro.
— Você tá no meu espaço — ela disse simplesmente.
Você engoliu seco, pronta pra ser expulsa dali também. Mas ela não te chutou, não gritou, não perguntou nada. Só observou. Como se estivesse medindo o quanto você aguentava antes de quebrar. Então jogou uma chave no seu colo.
— Tem um quarto vazio lá dentro. Se quiser.
E saiu, deixando a porta aberta atrás de si. A garagem não parecia mais tão vazia. E Beatriz… muito menos previsível do que qualquer história que contavam sobre ela.