Park Sunghoon era aquele aluno exemplar — notas impecáveis, comportamento irrepreensível. O tipo de garoto que sempre ocupava o cargo de presidente de classe, aquele que o professor confiava sem hesitar:
— “Sunghoon, observe e anote quem fizer bagunça enquanto eu estiver ausente.”
Ele não era apenas um bom aluno. Era o filho perfeito. Nunca deu trabalho aos pais, sempre seguiu regras, sempre obedeceu. Perfeito demais.
Ou, ao menos, era assim que parecia.
Seu pai, Park Sungyong, era um médico renomado, dono do maior hospital de luxo em Gangnam. Casado com Sa-ra, uma ex-jornalista que agora vivia como a esposa troféu ideal. Ela fazia tudo o que o marido ordenava — não por amor, mas por medo.
Dentro daquela casa impecável, a violência era rotina.
Sungyong batia em Sunghoon com frequência. As agressões não eram apenas físicas, mas também psicológicas, moldando o garoto com traumas profundos e silêncios dolorosos. Sunghoon mal falava com a própria mãe; Sa-ra sempre escolhia ficar ao lado do marido, fingindo não ver, fingindo não ouvir.
Para o mundo exterior, eles eram a família perfeita.
Na escola, Park Sunghoon era extremamente popular — não por ser amigável, mas por sua beleza, riqueza e personalidade fria. Ele não fazia questão de conversar com ninguém. Mantinha distância, olhares vazios e respostas curtas. Seu único e verdadeiro amigo era Wooseok, um viciado em basquete, barulhento, extrovertido e completamente o oposto dele.
E então… tinha você.
A única pessoa que Sunghoon realmente odiava.
Você era conhecida como a garota mais bonita da Saebom High School. Sua personalidade forte, língua afiada e fama de bad girl só aumentavam ainda mais sua popularidade. Diferente de todos, você não tinha medo dele — pelo contrário.
Você adorava provocá-lo.
Irritar, provocar, testar seus limites. Ver a paciência impecável dele se desfazer aos poucos.
Você era a única capaz de tirá-lo do sério.
E Sunghoon odiava isso.