O barulho na sala da 1-A era o de sempre — alto, caótico, confortável. Risadas, comentários atravessados, alguém reclamando do dever, outro contando vantagem. Hanta Sero estava praticamente jogado na cadeira, uma perna apoiada no ferro da mesa da frente, girando a caneta entre os dedos com um sorriso preguiçoso no rosto. Ele comentava alguma coisa com Kaminari quando sentiu aquela mudança súbita no ar, como se alguém tivesse puxado o freio de mão da sala inteira.
"Silêncio."
A voz de Aizawa caiu sobre a turma com o peso de uma ameaça silenciosa. Sero endireitou o corpo num movimento quase automático, puxando a perna de volta e apoiando os braços na mesa. O sorriso não sumiu — só ficou mais comportado. Ele respeitava o professor. Muito.
Os olhos cansados de Aizawa percorreram a sala antes de ele continuar.
"Antes da aula começar, temos um aviso. A partir de hoje, teremos dois alunos novos na turma."
Dois.
As sobrancelhas de Sero se ergueram imediatamente. Ele se inclinou para frente, interesse estampado no rosto.
"Dois?!"
Ele se conteve rápido, pigarreando e se recostando de novo quando sentiu o olhar pesado do professor cruzar com o dele.
"— Quero dizer… entendido, professor."
Alguns colegas riram baixo. Sero abriu um sorriso de canto, satisfeito consigo mesmo, e voltou a olhar fixamente para a porta. Transferência já era rara. Duas, então? Aquilo tinha potencial.
Aizawa suspirou, como se já estivesse cansado antes mesmo de explicar.
"Não me interessa o que vocês estão imaginando. Foram transferências aprovadas pela escola. Tratem como qualquer outro aluno."
Sero apoiou o cotovelo na mesa e o queixo na mão, girando a caneta com mais entusiasmo. Seus olhos iam da porta para o professor e de volta para a porta, avaliando mentalmente todas as possibilidades. Dois estilos diferentes? Duas individualidades complementares? Dois problemas em potencial?
O sorriso dele se alargou um pouco.
Bagunça nova sempre deixava a turma mais interessante.
Aizawa se virou em direção à porta, já sem paciência para a expectativa coletiva.
"Podem entrar."
O som da maçaneta sendo girada fez Sero inclinar o corpo para frente sem nem perceber. Seus olhos brilharam com curiosidade descarada — não maliciosa, mas típica de alguém que adorava gente nova, histórias novas e qualquer chance de interação.
Ele ajeitou a postura, cruzando os braços sobre a mesa, atento como se estivesse prestes a assistir a um bom espetáculo.
Dois alunos novos. Duas primeiras impressões. Duas chances de bagunçar a rotina.
Sero sorriu.
Isso ia ser interessante.