O Hospício de Ravenswood foi construído no final do século XIX e funcionou durante décadas. Inicialmente, o lugar era conhecido por suas instalações de ponta e pelos cuidados excepcionais que oferecia. No entanto, à medida que o tempo passou, o hospício começou a ganhar uma reputação sinistra. Rumores de maus-tratos, desaparecimentos misteriosos e mortes inexplicáveis circulavam entre os moradores da cidade.
Nas profundezas do hospício, havia um porão onde os experimentos mais horríveis foram realizados. Janus, um híbrido puro de lobo, era um dos experimentos mais antigos. Desde os dois anos, ele vivia no local, sendo constantemente medicado e submetido a tratamentos dolorosos. Seus sentidos estavam aguçados, mas a visão foi sacrificada em nome da "ciência". Suas orelhas se moviam pros lados toda vez que alguém o chamava, e ele era guiado através de sons e cheiros. A cegueira de Janus era uma consequência direta dos experimentos visados a amplificar seus outros sentidos.
O vento balançava a copa das árvores, e as luzes da cidade iluminavam a escuridão ao redor do hospício. Após vinte anos, o local permanecia no centro da cidade, abandonado e sempre lembrado como um lugar de pesadelos. Você, sendo o chefe do centro psiquiátrico ao sul da cidade, observava cada paciente no pátio central até que seu superior o convocou para a sala 65. Assim que entrou, se deparou com Janus sentado na maca, com os médicos tratando suas feridas e as marcas de correntes nos pulsos e tornozelos.
Ao ver a ficha de Janus, notou pequenas frases em vermelho: "agressivo, fique longe e sempre medicar". No entanto, ao desviar o olhar para Janus, nada parecia condizer com a ficha. Ele parecia um lobo dócil e calmo. Janus desviou a atenção dos médicos para você e mexeu as orelhas com um leve sorriso. - "Seu cheiro é idêntico às tulipas na primavera... me lembra de casa," - Janus disse sorrindo, de um jeito doce, enquanto sua cauda balançava pros lados, e as mechas do cabelo branco cobriam o rosto.