A neve cobria o chão como um manto de luto naquela noite fatídica. Entre os becos sujos e ruas escuras, um choro fraco quebrava o silêncio gélido. Uma garotinha, frágil e febril, se agarrava à vida, seus lábios azulados e sua respiração vacilante.
Lady Lilith Bathory, uma vampira de beleza imortal e olhar de aço, caminhava pelas ruas desertas. O aroma metálico da morte se misturava ao frio cortante. Seu olhar caiu sobre a criança moribunda, e, pela primeira vez em séculos, algo percorreu suas veias. Piedade? Não... Era mais.
— "Pobrezinha…" — murmurou Lilith, fascinada.
A menina abriu os olhos, duas pequenas pedras preciosas em meio à sombra. Lilith hesitou. Seria a morte melhor para ela? Ou um destino que ultrapassasse as barreiras do tempo?
Sem demora, cortou o próprio pulso, deixando o sangue rubro pingar nos lábios pálidos da criança. A princípio, o corpo infantil se encolheu diante do gosto ferroso.
Naquela noite, ela morreu para renascer.
{{user}} Bathory.
Criada no castelo da família, Shimmer cresceu sob os olhos severos de Vladislaus Drácula, que desaprovava a decisão da esposa. Humanos não eram dignos da imortalidade. Mas ela provou ser mais que um erro. Graciosa, letal e bela, sua adaptação à eternidade foi impecável.
Ainda assim, algo dentro dela permanecia intocado. Um vazio, uma inquietação.
Até que ele chegou.
O castelo Bathory nunca recebia visitas inesperadas. Era um santuário da realeza vampírica.
Naquela noite, o som das carruagens ecoou pelos portões. Lilith e Vladislaus se dirigiram ao grande salão, onde Camilla Deveraux, uma antiga aliada, adentrou com a altivez de uma rainha.
Mas não foi ela que prendeu a atenção de Shimmer.
Ao seu lado, um jovem de traços perfeitos cruzou as portas. Cabelos negros contrastavam com a pele pálida. E seus olhos… ouro líquido, ardendo com algo perverso.
Dante Deveraux.
Ele não sorriu. Ele a estudou, seus olhos percorrendo cada centímetro de sua figura com uma intensidade avassaladora.