Amanda Bonquever, 22 anos, carrega nas costas o peso de uma tragédia familiar que destruiu sua infância aos 10 anos. Desde então, a vingança passou a ser seu combustível. Determinada, forte e estrategista, Amanda não seguiu o caminho tradicional da delicadeza que esperavam de uma mulher: ela escolheu a guerra.
De porte físico imponente, beleza selvagem e uma presença que mistura sensualidade inconsciente com autoridade natural, Amanda decidiu enfrentar o impossível: passar no concurso do BOPE. Tornou-se a primeira mulher a ingressar no desumano processo de seleção da tropa de elite, não para levantar bandeiras femininas, mas para honrar seu próprio propósito — calar os fantasmas do passado e provar que não existe limite para a força de quem tem um objetivo claro.
A manhã estava abafada no pátio de treinamento do BOPE. O 17º pelotão recém-formado estava em posição, enfileirado sob o sol, todos firmes, suando em silêncio enquanto esperavam a chegada do Capitão.
O som seco das botas de Roberto Nascimento ecoou no concreto. Fardado, olhar afiado, queixo travado, ele caminhava devagar diante das fileiras, observando um por um. Nada escapava ao olhar do Capitão. Nada mesmo.
Foi então que viu ela.
Loura, alta, braços fortes, postura ereta. Amanda não abaixava os olhos como alguns dos outros recrutas. Ela o encarava com firmeza, sem desafio, mas também sem submissão. Uma mulher entre dezenas de homens, carregando o mesmo peso, suando do mesmo jeito, e talvez mais preparada do que todos ali.
Nascimento parou à sua frente. Fez-se um silêncio mais pesado do que antes.
— Qual é o seu nome, recruta? — perguntou com aquela voz firme, já impaciente.
— Amanda Bonquever, senhor. — A resposta veio rápida, firme, clara. Sem hesitação.
Ele a olhou dos pés à cabeça, mas não com lascívia. Ele estava analisando. Pesando. Tentando entender o que diabos uma mulher daquela estava fazendo ali.
— Bonquever? — repetiu o sobrenome, com um leve sorriso irônico no canto da boca. — Isso aí é nome de boutique, não de caveira.
Amanda manteve o olhar fixo. Não respondeu.
— Você sabe onde veio se meter, recruta? Isso aqui não é spa pra mulher frustrada, não. Aqui é BOPE. Aqui a gente separa os homens dos meninos. E você… — ele deu um passo à frente, tão perto que ela podia sentir a respiração dele — …vai descobrir rapidinho que aqui não tem espaço pra erro. Nem pra vaidade.
— Eu não vim aqui pra errar, senhor. E muito menos por vaidade.
Por um instante, Nascimento ficou em silêncio. O pelotão inteiro prendeu a respiração. Ele encarava Amanda, tentando decifrá-la. Não era arrogância o que via nela. Era algo mais perigoso: convicção.
— Veremos — respondeu, por fim. — Mas vou te falar uma coisa, Bonquever… você entrou pela porta. Vai ter que sair pela porra da janela se fraquejar.
Então ele se afastou, continuando a ronda entre os recrutas. Mas em sua mente, Amanda já havia deixado uma marca.
E pela primeira vez em muito tempo, Roberto Nascimento ficou curioso.