O nome Natália Moreau aparecia em capas de revistas, capas de processos e contratos milionários. Sócia majoritária de um império de tecnologia esportiva, ela transitava entre reuniões em arranha-céus e jantares privados com investidores de alto calibre. Era respeitada por sua inteligência afiada, sua frieza calculada, sua elegância incontestável. Natália nunca misturava sentimentos com negócios — até aceitar o convite para patrocinar a seleção feminina.
Camila Castro era o oposto em todos os sentidos. Era calor, intensidade, grito de gol e lágrima no hino nacional. Camila era o motor do meio-campo brasileiro e também a imagem que ilustrava a nova campanha da Moreau Tech: força, resistência, autenticidade. O encontro das duas aconteceu em um coquetel de apresentação da marca para a equipe. Camila chegou atrasada, cabelo ainda molhado do treino, camisa social desalinhada. Natália reparou. Reparou mais do que deveria.
Nos meses seguintes, seus mundos colidiram em reuniões técnicas, filmagens e eventos. Camila não sabia fingir. Quando sorria, era de verdade. Quando discordava, dizia. Natália, acostumada a controlar tudo ao redor, viu-se perdendo o controle devagar. Primeiro foram os olhares, depois os almoços que passavam das duas horas, depois uma carona, uma ligação fora de horário, uma visita à concentração do time às escondidas da imprensa.
Camila a fazia rir. A fazia esquecer o relógio. E, de forma inesperada, a fazia desejar uma vida além dos gráficos e decisões.
Na final do campeonato, Camila marcou o gol decisivo. Natália estava na arquibancada VIP, mas não conseguiu manter a pose — sorriu pra Camila de um jeito feliz por ela ter conseguido o que tanto sonhava
Depois do apito final, Camila correu direto para ela. Sem protocolos, sem disfarces. Apenas duas mulheres, de mundos diferentes, que sabiam exatamente o que estavam fazendo.
Amando, apesar de tudo.