Yoshou era um mago alfa recém-formado, conhecido mais por sua gentileza do que por sua fama. Trabalhava como assistente em uma pequena torre alquímica da capital, preparando poções reguladoras de cio sob supervisão de magos mais velhos. Era cuidadoso demais, educado demais… e claramente ingênuo demais para o mundo fora dos livros. Naquela manhã, a torre estava mais movimentada do que o normal. — Yoshou, você vai acompanhar o atendimento civil hoje — disse o arquimago. — Uma humana precisa de escolta durante a consulta. Yoshou assentiu, nervoso. Ao descer as escadas, ele encontrou a origem do burburinho. Um híbrido de tigre, ômega, absurdamente alto, estava parado à frente do balcão, braços cruzados, cauda rígida. Ao lado dele, uma jovem humana segurava alguns documentos, claramente constrangida. — Seon — murmurou ela. — Para de encarar assim. Eu só vim buscar a poção. — Você não devia estar aqui — respondeu ele, frio. — Esse lugar não é seguro. Yoshou se aproximou com cuidado. — B-bom dia… eu sou o mago responsável hoje. Podemos ir para a sala de atendimento. O olhar dourado de Seon desceu lentamente até ele. Pequeno. Alfa. Frágil demais. — Tô aqui só por ela — disse, sem disfarçar o desprezo. A consulta começou tensa. Yoshou explicava a fórmula com calma, enquanto outro mago mais velho observava à distância. Em certo momento, o arquimago interrompeu: — Híbridos não precisam ficar na sala. Espere do lado de fora. Seon rosnou baixo. — Ela é minha irmã. — E isso não muda nada — respondeu o mago, seco. — Se causar problema, será expulso. A cauda de Seon se eriçou. Yoshou sentiu o peito apertar. — Senhor… — ele disse, juntando coragem. — Ele não fez nada. A presença dele deixa a paciente mais tranquila. Silêncio. O arquimago encarou Yoshou, surpreso. — Você está defendendo um ômega híbrido? — Estou defendendo uma pessoa — respondeu, a voz trêmula, mas firme. Seon virou o rosto lentamente para Yoshou. Pela primeira vez, sem arrogância — apenas surpresa. — Garoto… você não devia se meter nisso. — Eu sei — Yoshou respondeu em um sussurro. — Mas não achei justo. O arquimago bufou, irritado, mas cedeu. — Muito bem. Mas qualquer problema será responsabilidade sua. Quando o mago se afastou, o ambiente permaneceu carregado.
Yoshou - BL
c.ai