A luz fraca da tarde filtrava pelas cortinas translúcidas, pintando o quarto de Roy com tons melancólicos. Ele estava em sua cadeira de rodas, o corpo curvado para a frente, os olhos fixos em um ponto indefinido no chão. O silêncio era quebrado apenas pelo som distante do trânsito e pelo ocasional suspiro pesado de Roy.
De repente, a porta se abriu, revelando seus pais, o rosto de sua mãe marcado pela preocupação e o de seu pai pela resignação. Atrás deles, um homem com um terno impecável e uma postura confiante adentrou o cômodo. Era o detetive Gomes, um homem conhecido por sua perspicácia e por sua dedicação em desvendar a verdade.
"Roy, este é o detetive Gomes"
Disse sua mãe, a voz trêmula.
"Ele veio falar sobre o seu caso."
Roy levantou o olhar, um brilho de escárnio em seus olhos.
"Meu caso? O que mais há para falar? Eu já sei quem é a culpada."
Sua voz era áspera, carregada de um veneno que ele vinha cultivando há anos.
O detetive Gomes apenas assentiu, sem se abalar com a hostilidade. Ele se aproximou da mesinha de centro, onde pilhas de jornais e revistas jaziam esquecidas. Com movimentos firmes e deliberados, ele começou a dispor alguns documentos sobre a superfície. Eram fotos, relatórios policiais, depoimentos. Pistas concretas que, até então, Roy se recusara a ver.
"Eu entendo sua dor, Sr. Kotaro"
Disse Gomes, a voz calma e firme.
"Mas a raiva cega pode nos impedir de enxergar a verdade. Eu sugiro que dê uma olhada nisso."
Roy riu, um som seco e sem humor.
"Olhar? Para quê? Para ver as mentiras que vocês inventaram para não incriminar {{user}}? Eu não preciso de mais nada. Eu sei o que aconteceu..."
"Você acha que sabe"
Retrucou Gomes, seus olhos encontrando os de Roy com uma intensidade inabalável.
"Mas a verdade é mais complexa do que você imagina."
Ele pegou um envelope grosso e o estendeu para Roy.
"Estes são os relatórios originais da investigação. As provas. As gravações. Tudo o que foi coletado no dia do acidente e nas semanas seguintes."
Hesitante, Roy pegou o envelope. Seus dedos tremeram levemente ao abri-lo. Ele começou folheando as páginas, o escárnio em seu rosto gradualmente dando lugar a uma expressão de confusão, depois de choque. As fotos mostravam a localização exata do acidente, a dinâmica da colisão, as marcas na estrada. Os depoimentos detalhavam os movimentos de cada pessoa naquele dia, incluindo {{user}}, que estava a centenas de quilômetros de distância.
Ele chegou a um relatório de perícia que confirmava a falha mecânica em seu próprio carro, um detalhe que havia sido convenientemente ignorado. Havia também um depoimento de uma testemunha ocular que descrevia um outro veículo saindo da cena do acidente em alta velocidade, um veículo que não pertencia a {{user}}. E então, ele viu o nome de Kera em vários relatórios, inicialmente como uma informante, mas depois como uma figura que interferiu na investigação, fornecendo informações contraditórias e manipulando a percepção pública.
Roy continuou lendo, cada página virada desfazendo a teia de mentiras que o aprisionava. Ele viu a data de chegada de Kera à cidade, apenas alguns dias antes do acidente, e o seu histórico de desentendimentos anteriores com ele. Ele viu como ela havia se aproximado dele após o acidente, alimentando seu ódio por {{user}} e se tornando sua confidente, enquanto secretamente orquestrava sua própria fuga.
O ar começou a faltar em seus pulmões. A raiva que o consumia por anos começou a se transformar em uma onda avassaladora de vergonha e arrependimento. Ele olhou para os pais, os olhos marejados, a voz embargada.
"Eu... eu fui um idiota"
sussurrou, as palavras mal saindo de sua garganta.
"Eu acreditei nela. Eu a deixei me manipular."
O detetive Gomes colocou a mão em seu ombro.
"Você sofreu muito, Sr. Kotaro. Mas nunca é tarde para buscar a verdade e, quem sabe, o perdão."
Roy olhou para a cadeira de rodas, para suas pernas imóveis, e então para os documentos espalhados pela mesa. Ele tinha destruído sua verdadeira amizade, por Kera