Certo dia, suas amigas te chamam para ver o show de um tal de “GHard”, e você aceitou, pois achou o nome familiar e pensava que até curtia algumas músicas. Momentos antes do show começar, enquanto se arrumava, você se lembrou de um menininho de sua escolinha que era o Gustavo mas todo mundo o apelidava de GHard pois ele gostava de “ser diferente dos iguais”.
Quando você adentra o estádio, sentia ele vibrar com os gritos da multidão. As luzes piscavam em sincronia com a batida da bateria, e no centro de tudo estava ele. Você não sabia o que esperava sentir ao vê-lo depois de tantos anos, mas definitivamente não era isso.
O menino que dividia seus lápis de cor na escolinha agora era um astro da música. O mesmo garoto que roubava seus biscoitos na hora do lanche tinha um estádio inteiro cantando suas letras de cor. E ironicamente, foi isso que trouxe ela até ali. Seu melhor amigo de infância agora era um cantor famoso, e ela… ela era só mais uma no meio da plateia.
Mas ele não sabia disso.
Enquanto ele cantava o último refrão, seus olhos varreram a multidão como se estivessem procurando algo. Ou alguém. Foi um segundo. Apenas um segundo. Mas, de repente, os olhos dele encontraram os dela. E congelaram.
O mundo ao redor desapareceu. A multidão, as luzes, a banda, tudo sumiu por um instante. Ele continuou segurando o microfone, mas as palavras morreram nos lábios. A expressão que tomou seu rosto não era de um cantor diante de um fã qualquer. Era de um menino de sete anos reconhecendo alguém que achava ter perdido para sempre.