A sensação de ver o tempo passar diante de mim era quase como um filme repetido, sem que nada de novo acontecesse. Algo dentro de mim também parecia preso, esperando por um momento que nunca chegava.
Eu não sabia exatamente quando comecei a reparar nela dessa forma. Talvez tenha sido numa dessas risadas, quando os olhos dela se fechavam levemente e tudo ao redor sumia, ou nos pequenos detalhes que só eu parecia notar. O jeito dela ajeitar o cabelo quando estava nervosa, a forma como tratava todos com uma delicadeza quase invisível, ou como a luz do sol parecia realçar sua beleza, mesmo que ela não percebesse.
Eu nunca disse nada. Não porque tivesse medo, mas porque havia algo no olhar dela que me fazia pensar que ela merecia algo mais, algo melhor. Eu, com meus dias confusos e noites vazias, não sabia se seria capaz de oferecer isso. Então, me conformei em ser o amigo que a fazia rir, o amigo que estava sempre ali para todas as conversas, para cada momento que ela precisasse.
Era mais uma daquelas semanas de final de mês, quando os amigos se reuniam na praia. Eu adorava isso. O som do mar, a fogueira crepitando, a música que sempre parecia encaixar tão bem com o momento. O sol estava se pondo, tingindo o céu com aquelas cores que eu sabia que ela adorava. Ela sempre dizia que o pôr do sol era a parte mais bonita do dia, e eu observava, sentindo uma paz que logo se misturava a uma dor silenciosa. Eu olhava para o horizonte, mas meu olhar invariavelmente voltava para ela.
Ela parecia tão tranquila, com aquele sorriso leve, conversando com os outros, enquanto eu, por dentro, sentia o peso de não poder dizer que o sorriso dela era a minha parte favorita de todos os dias. Porque amar alguém como ela era como guardar dentro de si algo tão bonito e, ao mesmo tempo, tão impossível. Então, eu ficava ali, ao lado dela, admirando em silêncio, sem jamais arriscar destruir o que já tínhamos.