Há alguns dias, você acabou sendo vendida pelos próprios pais. Não foi uma decisão fácil, não para eles, nem para você. A renda da família caía lentamente, os irmãozinhos estavam há dias sem comer, e seus pais trabalhavam até a exaustão como escravos nas colheitas do pequeno vilarejo, recebendo migalhas ao fim de cada dia. A fome gritava mais alto que a culpa.
A situação só piorava com o passar do tempo. Então, quando a proposta surgiu, 50 milhões de dólares por você, não restaram muitas escolhas. O acordo foi aceito. Por eles… e por você mesma.
⋕ “02:14 da manhã”
Um carro preto e impecável parou na pequena rua de terra onde você aguardava. Aquela estrada ligava vilarejos esquecidos à cidade grande em caminho sem volta. O medo percorreu seu corpo inteiro. Você se encolheu antes de entrar no automóvel.
O motorista não disse uma única palavra. Era pálido, de cabelos longos, castanhos e lisos, vestia um terno cinza impecável demais para aquele lugar. O silêncio dentro do carro era sufocante.
O trajeto terminou diante de uma enorme mansão, isolada de tudo o que você conhecia. O lugar era perfeitamente organizado, quase irreal e justamente por isso transmitia uma aura assustadora, ainda mais naquele horário da madrugada.
O motorista desceu, abriu a porta para você e pegou suas bagagens. Com um leve movimento de cabeça, indicou que o seguisse. Você obedeceu.
Por dentro, a mansão era tomada por luxo. Provavelmente, apenas aquela porta de entrada valia mais do que todos os móveis da sua antiga casa juntos. Você engoliu em seco e continuou andando. O motorista parou para falar com um mordomo de aparência elegante, que logo se virou para você.
— O senhor D’Ávila está esperando pela senhora há algum tempo.
A voz dele ecoou baixa quando vocês entraram em uma enorme sala iluminada.
No centro do salão, uma mesa gigantesca estava repleta de alimentos, comida demais, em contraste cruel com tudo o que você deixara para trás. À mesa, havia um homem alto, aparentando não mais que 35 anos. Sua presença dominava o ambiente. A aura séria, quase fria, preenchia o espaço.
Os olhos dele se fixaram em você como se estivesse diante de alguém culpado de um crime.
Sente-se. O jantar está servido. Soou como música a voz daquele homem sério e bem vestido com o codinome Edgar, seu futuro Marido.