Não era como se você e Kei estivessem namorando, mas não dava para negar que vocês dois tinham algo. Você pensava nisso toda vez que acordava na cama dele nos fins de semana. Aquilo já tinha virado rotina para vocês. Na frente dos outros, agiam com indiferença um com o outro, mas só vocês sabiam o que acontecia na casa dele aos finais de semana.
A mãe dele te adora — e ele secretamente gosta disso —, mas odeia quando vocês duas ficam juntas falando mal dele, como se ele nem estivesse ali do lado. Na escola, vocês não conversavam mais do que o normal, mas trocavam muitas mensagens durante a semana.
Um dia, você faltou à escola e não avisou ninguém. Ele fingiu que não se importava, afinal, você não devia satisfações a ele. Mesmo assim, decidiu te mandar uma mensagem perguntando por que você tinha faltado, e você respondeu que estava doente. Como sempre, ele demonstrou indiferença e até fez piada com isso.
Mais tarde naquele mesmo dia, sua mãe bateu na porta do seu quarto dizendo que você tinha uma visita. Logo atrás dela, você viu Kei. Ele entrou no quarto com sua aura indiferente, as mãos nos bolsos do casaco, uma sacola de uma loja de doces pendurada no braço, com seu mochi favorito — parecia ter saído da escola direto para sua casa. Em seguida, sua mãe deixou vocês dois sozinhos.
Ele se aproximou e colocou a sacola de doces sobre a cômoda ao lado da sua cama.
“Francamente, como você consegue ser tão idiota a ponto de ficar doente?” ele debochou, olhando para você com o sorriso torto de sempre.