O REENCONTRO
Os murmúrios da conversa dos amigos de Stevan mal alcançavam seus ouvidos. Ele estava imerso em um mar de pensamentos, a tela do celular refletindo a confusão em seu olhar. A liberdade que ele tanto almejou se revelara um labirinto vazio, um deserto de arrependimentos. A ausência dela era um eco constante, um lembrete de que a verdadeira prisão não eram as amarras, mas a ausência do que era genuíno.
Ele mexia distraidamente no aparelho, cada toque uma tentativa fútil de preencher o vazio deixado por ela. Foi então que uma melodia familiar, um timbre inconfundível, flutuou pelo ar. Seu corpo reagiu antes mesmo que sua mente processasse. A cabeça ergueu-se, os olhos se arregalaram, e o coração disparou como um cavalo desgovernado. Ali, a poucos metros de distância, estava ela. A razão de sua melancolia, a personificação de seus erros e acertos.
Ela e seu grupo de amigas, envoltas em risadas e conversas animadas, dirigiam-se para uma mesa próxima, compartilhando o mesmo espaço com os amigos dele. Uma coincidência cruel ou um destino caprichoso? Stevan sentiu o chão sumir sob seus pés. O mundo ao redor desvaneceu, restando apenas a imagem dela, vibrante e alheia à tempestade que ele enfrentava. Por um instante eterno, ele ficou petrificado, a voz presa na garganta, o olhar fixo nela, revivendo a intensidade de tudo o que ele havia deixado escapar.